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1.
Como é possível tentar convencer alguém que nasceu para ser rei quando em todas as versões da história morre como escravo? Ninguém nasce com nenhuma predisposição genética para ser empregado de shopping ou pedreiro de segunda. Anda, eu vou mostrar-te que essas chapas de zinco onde as gotas de chuva cantam que nem mãe de santo, na verdade guardam um dos maiores tesouros da humanidade! Nós... Não está fácil, mas não vamos desistir nem voltar a ser os primeiros a morrer nesse filmezinho barato. Está nas tuas mãos! Quem falou que esse lugar no autocarro não é para ti? Faz as coisas com brio e elevação, vai lá e traz a nossa dignidade de volta. Inspira... expira... transpira... repete. Toquei nas estrelas, vês? Daqui chef Avillez Bater pirão só com pauzinhos do chinês Eu sou gourmet e vocês são fast food Deus me dê saúde para manter esta atitude (Stay Rude!) Foca-te no homem, já é tempo de acordares Eu vim dizer coisas bonitas tipo Sara Tavares Fazer guerra com as palavras até tu te curvares Contar a história destas gentes, versos são milenares Das sanzalas às barracas, cidades foram tomadas Meu povo dança para vingar para as chibatadas Isto é arte pela arte, cultura pela cultura Nem pretos nem brancos, nós somos pela mistura Nunca me pises se estou com Jordan nos pés Eu sou clássico tipo 3310, tu analisa o palmarés Que vem de há bués e em caso em de dúvida Vim para mudar o mundo com a força da minha música Eu vim mudar o mundo porque lá no fundo só eu sei Que cada carapinha é uma coroa de rei A gente dança, a gente canta, essa é a nossa lei Se houver saúde meu people estamos ok Deixa que eu me manifeste Desde que haja saúde eu trato do resto E mesmo que nos calem a caravana não abranda Até fazer o mesmo que o Luaty fez na banda Wakanda agora é meu mantra, o espírito é Marielle Porque a raça de um homem não se vê na cor da pele Pintem o arco-íris de preto quero ver o céu de luto Mesmo que o povo não vença eu morro por aquilo que eu luto Eu treino cardio a fazer novos flows Essa porra é Crossfit só me dou com Gijoes Brows! Missão é dura, mas nunca me rendi Postura nunca foi whatever, nunca sucumbi Eu sempre estive aqui nas asas do colibri Eu ouvi Mahatma Gandhi a gritar por mim Vai! Ninguém te para se a razão é tua Se o sistema falhar, tu faz justiça na rua Ninguém recua nem baixamos a defesa Sejam bem-vindos à revolução da música portuguesa Eu vim mudar o mundo porque lá no fundo só eu sei Que cada carapinha é uma coroa de rei A gente dança, a gente canta, essa é a nossa lei Se houver saúde meu people estamos ok Deixa que eu me manifeste Desde que haja saúde eu trato do resto
2.
OTN 03:24
Meu nome é mitologia suburbana 100 mil gotas de ópio para atingires o teu nirvana Criatura sobre-humana, criatividade insana Estratega tipo Osama com bigode à Chalana Perigo! Ruas em chamas, não há piedade nem dramas Propaga a praga enquanto juras que morres pelo que amas Chumbo grosso, eu vejo a tuga em alvoroço Exército de heróis sem rosto, cada linha é pura filigrana Tu sente a gana e flow, bandana à Chuck Norris Esses niggas falam bué brow, mas é só Insta Stories Não há memória, trajetória inglória A sul do Sado só um nome ainda perdura na história Tu sente a fibra, meu português é digra Tu decora a sigla: Outro Tipo de Nigga Outro tipo de nigga Decora e grita a sigla, aqui ninguém duvida Porque eu sou: Outro Tipo de Nigga Eles dizem "é lenda viva", ninguém para a missiva Porque eu sou: Outro Tipo de Nigga Demasiado a sul, holofotes aqui não brilham Verdade inconveniente que os niggas nunca partilham Tracei o meu o plano atrás das cortinas de fumo Para quando eu subir no ramo não ser sorte, ser rumo Tu não confundas patentes quando eu cerro os dentes O veneno dessas serpentes parece sumo Ou mato ou morro, mas não fujo nem corro Jallab no meu sangue, niggas vão pensar que sou mouro O algarvio mais pesado, estás a ver o meu legado? Se eu cuspir no chão, solo sagrado 8 1 2 5, o sotaque é de gringo Mas o que corre nas minhas veias é mar salgado Cara tapada, sente o poder da rajada Cuspo balas até que sanzalas sejam iluminadas Até que não sobre nada, destruição absoluta Eu sou Outro Tipo de Nigga, tu outro tipo de filha da... Decora e grita a sigla, aqui ninguém duvida Porque eu sou: Outro Tipo de Nigga Eles dizem "é lenda viva", ninguém para a missiva Porque eu sou: Outro Tipo de Nigga
3.
Vês-me a cortar beats com a precisão de um samurai Eu nunca fui romântico, flores só para a campa do meu pai Exorcizei demónios em 91 Jeans Monroe, assististe à ascensão de um ser comum Agora legacy, fim da terapia sonora do homem que nunca chora Nem quando te foste embora, não sei, eu acho que finalmente te enterrei Mãe desculpa se nunca te disse o quanto te amei Bem! Caí, levantei-me, fiz-me homem Enquanto os outros dormiam eu cantei à luz da lua tipo um lobisomem Nunca parei de sonhar porque daqui de baixo o céu até parecia um bom lugar Ícaro, as asas de cera não vão aguentar E eu sempre quis saber o que faz o mundo rodar Medo guita ou fome, ambição não dorme, deixem-me voar Medo guita ou fome, pôr o meu nome no radar Ninguém me para enquanto eu tiver ar Colosso de carne e osso nunca hás-de ver chorar Fuck o ser nervoso, sobrevivo no meu habitat O medo de morrer novo só me fez jurar Quero tocar no céu, por favor deixem-me voar Por favor deixem-me voar Ícaro, as asas de cera não vão aguentar Eu só ouvia gritar As asas de cera não vão aguentar Eu só ouvia gritar Tu mete os pés na terra ou só te vais magoar Eu só ouvia gritar As asas de cera não vão aguentar Vi-me a cair do céu e a bater no fundo Braços demasiado curtos para abraçar o mundo Quem tudo quer tudo perde Mas se não for pela ambição como é que um homem se mede? Ícaro, as asas de cera não vão aguentar Mas se eu não sonhar qual é o objetivo? De manter um corpo sem nada para lutar Sem nada para agarrar Fuck! Transformei o medo agudo em coragem Farto de pensar que a felicidade é miragem Que eu não mereço e que o meu preço, viver à margem É o endereço que eu conheço desde o berço e eu quero outra imagem Quero outra vida, dançar com as estrelas mais lindas O universo é minha pista, eu sou criança ainda Eu nunca acreditei quando ouvi gritar As asas de cera não vão aguentar Ícaro, as asas de cera não vão aguentar Eu só ouvia gritar As asas de cera não vão aguentar Eu só ouvia gritar Tu mete os pés na terra ou só te vais magoar Eu só ouvia gritar As asas de cera não vão aguentar
4.
Depois de 96 tanta merda aconteceu Para piorar as coisas o Dilla também morreu Negros andam confusos, dissonância cognitiva Desde a morte do Madiba que a raça anda meio à deriva Negros morrem em esquadras, bairros em pânico Mas manos só falam de carros tipo são mecânicos Mas trazem tatuagens tuas, querem ser como tu E mesmo sem alcance orgânico só falam de Kumbú Todos têm cachets, mas ninguém tem valores E até os negros do Quilombo servem chá na casa dos senhores Eu estou com dores nos adutores, mas a corrida é longa Para deixar uns quantos recados tipo cota Bonga Há quem diga é uma questão de perspetiva Mas negros estão demasiado claros para que a luva do O. J. lhes sirva Enquanto dizem os niggas não saem dos guetos Seres preguiçosos não gostam de acordar cedo Ninguém é racista, todos têm um amigo preto É por isso que apertam a mão a um branco como o pescoço a um negro Nos bairros manas criam os filhos que os manos não sustentam Eles na zona VIP da disco, só ostentam Mas continuam pobres, famílias sempre pobres Passam fome para comprar roupa, parecem ainda mais pobres Por isso não sigo tendências, fuck essa fama Manos estrelas em clips, em casa mantém-se o drama Cinco na mesma cama, meio bairro de cana E eles a falar de sexo, drogas e grana Já nada inspira e eu estou farto dessa mentira E uma voz que me sussurra ao ouvido: "Perigo atira!" Pac, és tu? Diz que não estou a ficar louco Ou ressuscita como Cristo e vem salvar o teu povo
5.
Já não me vês na noite a cansar o griff Eu estou focado em transformar o bairro em zona VIP Umas chavalas freaks, uns niggas waya waya Um ambiente selvagem, mas ninguém dá raia Eles querem que eu me distraia, mas o plano é simples: Aumentar os lucros, duplicar ouvintes São vários arrastos, o currículo é vasto Porque eu faço-me ao piso mesmo com os pisos gastos Queres falar de maços? Tabaco aqui não conta Que eu nunca girei com quem só fuma pontas E no final das contas só conta o que fiz E eu nunca precisei de muito B, para ser feliz Sorriso da minha filha, ver a família bem Não perguntar quanto custa, só quantos tem Meu bem a dizer "amém" dentro de um bote novo Dizer à cota "se houver contas deixa que eu resolvo" Se for para agitar ouve o povo a gritar ai nha mãe, nha mãe, nha mãe Até eu bazar vais-me ouvir a gritar ai nha mãe, nha mãe, nha mãe Se for para agitar ouve o povo a gritar ai nha mãe, nha mãe, nha mãe Até eu bazar vais-me ouvir a gritar ai nha mãe, nha mãe, nha mãe Aumenta o volume, vê os índios na janela é só sinais de fumo Família aumenta o consumo, vinho com sumo Dombôlo até perder o prumo Mesmo sem nada eu brindo, eu já nasci assim Persistência é essência, eu vou fazer por mim Eles dizem "a carne é fraca", só digo que é ruim Amor e uma cabana, eu já vivi assim Eu nunca quis ser rico, eu só pedi a Deus Cuida da minha família e protege os meus A gente dança para esquecer e os copos no céu É só para agradecer aquilo que Ele deu Eu nunca fui ingrato, nunca cuspi no prato Tudo o que eu tenho nada me foi dado Eu digo obrigado meu nigga "tamo junto" E hoje sou um vagabundo no topo do mundo Se for para agitar ouve o povo a gritar ai nha mãe, nha mãe, nha mãe Até eu bazar vais-me ouvir a gritar ai nha mãe, nha mãe, nha mãe Se for para agitar ouve o povo a gritar ai nha mãe, nha mãe, nha mãe Até eu bazar vais-me ouvir a gritar ai nha mãe, nha mãe, nha mãe
6.
GOATS 03:54
Essa porra é trabalho, nunca foi sorte Eu corri da morte até ficar sem fôlego Com foco no topo eu vim fechar o jogo My nigga eu estou louco, eu não papo esses dreads Se alguém estica a corda eu apago esses dreads Sei que vou pagar pelos meus pecados Mas nunca vou pagar por reacts Oh Lord! Oh Lord! My God, my God! Demónio no meu ouvido a gritar "ninguém manda no teu block" Fuck niggas, fuck haters, fuck inveja, fuck haters Minha team só ovelhas negras, bitch call me Darth Vader A cota só diz "tu não bates fixe", estou de volta Heimlich Mil manobras para matar as cobras, mostrar o pau neguinho sinistro Tanta a gente a querer o mesmo, tempo passa mais do mesmo Todos a tentar ser qualquer coisa, eu tentado em ser eu mesmo Anti-plágio só ideias próprias, chinelos com meias só vejo cópias Capicuas, cornucópias, motherfuckers, só cenas óbvias No more haters, no! No fake friends, no! Vosso ódio só bate na rocha tipo Tong Po Diz a verdade Tu diz a verdade Diz a verdade Tu diz a verdade A dama só diz "luta pelo que amas", Rap, família, o Marquês em chamas Montar a banca tipo as duas manas, honra os que foram e os que estão de cana Asa Branca bitch, no more drama se a família chora I’m sorry mama Teu filho nasceu para ser uma estrela, eu não vou morrer com os meus pés na lama Do bairro para o mundo, eu não sei onde vou Já bati no fundo, voltei a ser dope Por isso assunto nunca me assustou Se eu ficar sem nada isso é no, no, no! Niggas falam, mas ninguém vos ouve Porque na verdade all you need is love Querem sangue novo, eu quero haters novos Porque são os mesmos desde noventa e nove E os que dei a mão estão-me a puxar rasteira, a ver se um gajo cai dessa cadeira Já não há confiança e até na bebedeira, os shots aqui são de caçadeira Pai guarda a fam, do resto trato eu, vou fazer aquilo que a gente prometeu Se a noite hoje está escura a culpa é di meu porque até eu morrer não há estrelas no céu Diz a verdade Tu diz a verdade Diz a verdade Tu diz a verdade
7.
Eu disse: beija-me como se eu fosse o último homem na Terra 'Bora fazer amor enquanto eles fazem guerra Eu disse: beija-me como se eu fosse o último homem na Terra 'Bora fazer amor enquanto eles fazem guerra Ver o pôr-do-sol enquanto o mundo acaba de mão dada Se não sobrar nada eu tenho-te a ti Ver o pôr-do-sol enquanto o mundo acaba e dizer-te ao ouvido o quanto eu gosto de ti Lá fora eles matam-se uns aos outros por tão pouco Money é o afeto dos loucos, poluição global afeta o clima E nós só preocupados com quem começa por cima Terrorismo de informação afeta todos Nós cada vez mais gordos, sexo e chocolate Minha luta é só tocar-te, eu estou apaixonado Farto de notícias deprimentes, humanidade está doente Já ninguém ama para sempre, já ninguém se declara E eu tipo The Weeknd de tanto amar já nem sinto a própria cara Dizer "amo-te" é coisa rara nos tempos que correm, como é que homens Fazem guerras para matar mais homens e eu só preocupado Se o teu soutien se desaperta de trás ou dos lados 'Bora fazer como se todos dias fosse Dia dos Namorados 'Tá combinado, todos dias tipo Dia dos Namorados Eu disse: beija-me como se eu fosse o último homem na Terra 'Bora fazer amor enquanto eles fazem guerra Eu disse: beija-me como se eu fosse o último homem na Terra 'Bora fazer amor enquanto eles fazem guerra Ver o pôr-do-sol enquanto o mundo acaba de mão dada Se não sobrar nada eu tenho-te a ti Ver o pôr-do-sol enquanto o mundo acaba e dizer-te ao ouvido o quanto eu gosto de ti Política e religiões, marchar contra canhões Eu almas, corações, amores e paixões São várias situações, mas no fim Todas elas acabam contigo agarradinha a mim Homens de Deus dizem que o mundo está perto do final E nós os dois a contribuir para o aquecimento global Sem mapas nem teorias, só taras e fantasias Estudo geografia no teu body enquanto te arrepias Eu não preciso de um harém com mil Marias Tu já me fazes explodir todos dias Enquanto o Trump tenta acabar com o mundo Eu estou a ver se passamos o resto da nossa vida juntos São assuntos delicados, politicamente incorretos Mas a cena sempre foram os afetos Por isso mantém-te perto para eu te sentir minha O herói deles usa capa, o nosso usa camisinha Eu disse: beija-me como se eu fosse o último homem na Terra 'Bora fazer amor enquanto eles fazem guerra Eu disse: beija-me como se eu fosse o último homem na Terra 'Bora fazer amor enquanto eles fazem guerra Ver o pôr-do-sol enquanto o mundo acaba de mão dada Se não sobrar nada eu tenho-te a ti Ver o pôr-do-sol enquanto o mundo acaba e dizer-te ao ouvido o quanto eu gosto de ti
8.
Vamos pôr tudo em pratos limpos Barbinhas no guimbo, conversas com cinto Famílias aos gritos, filhos nos cubicos Fezadas nos gringos, aqui 'tá limpo Missa de domingo, aqui 'tá limpo Se o pai 'tá na cana a avó 'tá no Bingo Mãe a girar com um traficante rico Na disco africana a dizer "'tá limpo" Cachicos a tentar chegar ao cimo Sorte é pão rico para o mata-bicho Já vi carochos a pitar lixo, a gritar com um sorriso "aqui 'tá limpo" Tia tem seis filhos, nenhum 'tá limpo Bongó fez a rusga, já levou cinco Ambiente pesado, já nem o sinto Se der confusão, por mim 'tá limpo Se o bicho pegar, por mim 'tá limpo Se a bongó passar, por mim 'tá limpo Se essa bitch estrilhar, por mim 'tá limpo Eu só vim colocar tudo em pratos limpos, por mim 'tá limpo Bebida no canto, essa é para o Santo, ninguém toca no prato até ficar limpo Damas estão na pista a rasgar o salão e os patrões a gritar "ya, ’tá muita lindo" Postiço está torto, vestido suado, mas estão a dizer "ya, aqui 'tá limpo" Se der confusão ninguém vai pôr a mão, acredita irmão, são as leis do kimbo Ya, aqui 'tá limpo, aqui 'tá limpo, aqui 'tá limpo Ya, aqui 'tá limpo, aqui 'tá limpo, aqui 'tá limpo Eu só vim colocar tudo em pratos limpos, se a tropa está sob o efeito do fumo Piranhas estão a atacar o cardume e a dizer sem camisa que "aqui 'tá limpo" No meio dos corvos é só golpes novos, mambos importados vêm de Marrocos Nigga deu o toque, hoje é tudo nosso, parto os pratos na cara, Mazal tov Se o bicho pegar, por mim 'tá limpo Se a bongó passar, por mim 'tá limpo Se essa bitch estrilhar, por mim 'tá limpo Eu só vim colocar tudo em pratos limpos, por mim 'tá limpo
9.
Porcelana 03:26
Todo o pó vira porcelana Meu mundo é porcelana Meus brothers, minhas manas, minha city é porcelana Meu carma, porcelana, minha pele, porcelana Meu bairro, minha fam, meu ADN é porcelana Todo o pó vira porcelana, alma lusa costela africana Eu vim do sul, bafana, bafana, estás a ver a forma insana Que voo para o topo se não está dope, faço o dobro Missangas no corpo, vês como eu corro? Meto o gueto na city vão gritar "socorro isso é lenda de Zorro" Meus niggas com gorros na cara a gritar "I love o morro" Orgulho no meu habitat, cota dá-me a bênção contra o mau-olhado Estão-me a olhar de lado, meu barro não parte Eu sou obra, eu vim educar-te e vim dar-te um passaporte para a liberdade Chega de humildade, nós somos porta-estandarte Da rua até Marte, sanzala não dorme nem come carne Eles estão a julgar-me, tentarem matar-me com pistolas de alarme Não vai resultar, tanto pó no ar que eu vim transformar Tu não estás a par daquilo que eu sou, avisem os brows Que eu vim acabar o que o Zeca Afonso começou Todo o pó vira porcelana Meu mundo é porcelana Meus brothers, minhas manas, minha city é porcelana Meu carma, porcelana, minha pele, porcelana Meu bairro, minha fam, meu ADN é porcelana
10.
Último Voo 02:48
Enquanto eu sonhava em ser uma rock star Eu vi muitos a jurar "nunca hás-de lá chegar" Tu não estás a par, põe-te no meu lugar Meu mundo gira até ficar de pernas para o ar Não estás a ver para onde é que eu vou? Meu sol brilha só para mim até ao meu último voo Eles dizem que não é a minha vez Mas olha-me nos olhos só para veres o que o homem fez Eu quero mais do que a música a matar-me a fome Só parar quando o meu bairro tiver o meu próprio nome Tu estás-me a ver chavalo? Se um dia for viral Levo a zona nestes versos, poeta Pardal Tu vês textura na postura que o homem defende Não é cobiça, é justiça que um gajo pretende Todo a história da família tem empregados a mais Há sempre bocas a mais nem que haja mil funerais E eu meto o coro aqui, ainda nem dormi Quatro da matina e a retina vê o que eu nunca vi Uma abébia para a tragédia mudar de cenário Do necessário ao extraordinário, bulo sem horário Já fiz horas extras para tocar às sextas Se não morrias por um sonho tipo nem te metas Nas paredes do quarto está escrito "agora ou nunca" Der por onde der não volto para aquele emprego chunga Não, não vou, eu não vou Der por onde der este é o meu último voo Não vou, eu não vou, não vou Juro meu pai, este é o meu último voo Todos querem mais para os seus, eu não sou diferente Meu carma desobediente nunca voltou para a gente Mas eu nunca desisti, teimosia é pedigree no sítio onde eu cresci Se queres seguir em frente, há tanta gente à frente De quem mata a quem mente, olho por olho, dente por dente Não é suficiente se quem te ensina as regras mente "Aqui ninguém aqui ama para sempre" é o que me diz a voz cá dentro Ofegante na respiração, fragrância só transpiração Meu pai nunca foi patrão, meu Deus não tem religião Meus demónios não amassam pão E eu quase que me enforcava com esse cordão Mas venci até aqui, eu vim com a mesma fé Dos médicos que gritavam "faz força Nené" Dos séticos que juravam "não vais ser ninguém" Mas não volto para aquele emprego seja a mal ou bem Não, não vou, eu não vou Der por onde der este é o meu último voo Não vou, eu não vou, não vou Juro meu pai, este é o meu último voo
11.
Pinóquio 03:00
Quando a solidão aperta eu bebo até andar torto Enquanto me imagino velho e gordo Sentado num sofá com o estofo roto Cheio de manchas de Vinho do Porto Como se por dentro já estivesse meio morto Nós dissemos tudo um ao outro Por isso não é saudade, é só desgosto Nós os dois naquela cama, às vezes éramos tantos Todos nós temos pecados, nenhum dos dois foi santo Nosso amor, Pinóquio, eu nunca percebi se era só ódio Ou falta de amor próprio, calma tento-me manter sóbrio Um puto problemático, falta de sentido prático Demasiado nervoso, na tua boca um cabrão maldoso só com um lado sádico Mete tudo no mesmo saco de plástico eu e os outros Agora quem é o monstro que vai beijar os teus lábios? O nosso amor nunca falou a língua dos sábios Apaixonados por mentiras, a verdade magoa Eu também quero que desapareças, conheças outra pessoa E se hoje estiver na merda como estive em Lisboa Eu só quero que tu saibas que... Nosso amor morreu Quando tu, quando eu Ninguém soube dizer adeus Nosso amor morreu Nossos retratos tinham falhas graves Nossos laços estavam velhos e gastos Eu via ao espelho um homem sem força nos braços A contar mentiras para não acabar de rastos Nosso amor, Pinóquio, viagem sem sentido Freud de vestido, de cúpido a brincar com o meu libido Lá no íntimo eu sabia que era um caso perdido Mas sem coragem para dizer adeus de coração partido Eu contei mentiras, só palavras giras Palavras vazias, cheias de especiarias Sente o tempero que o medo nos trouxe Essa amargura que está estampada no rosto Esse medo de não sermos um do outro Só que a verdade matou-nos o gozo Agora grita o nome do monstro Agora grita o nome do monstro Nosso amor morreu Quando tu, quando eu Ninguém soube dizer adeus Nosso amor morreu
12.
1974 02:40
Severino nasceu na Guiné-Bissau Mas na Guerra Colonial decidiu morrer por Portugal Apaixonado por Fado e bacalhau Desde pequeno que sonhava em conhecer a capital Vestir como os brancos que ele via no jornal De sapatos engraxados no Marquês de Pombal Ser tratado por senhor como o patrão era Ter um pedaço de terra que desse frutos pela primavera Alistou-se no exército de Salazar Na esperança de vir a ser um herói do Ultramar Foi para jamba para morrer e matar Mas prometeu não partir sem ver o Eusébio jogar Quando a guerra acabou, o sangue dos irmãos Que lhe escorria pelas mãos não deixou outra opção Arrumar as bicuatas, apanhar o avião E finalmente conhecer a terra do patrão Na capital não era visto como igual Chamavam-lhe macaco sem rabo, lixo colonial Volta para a tua terra, os pretos cheiram mal Escumalha africana, fora de Portugal Mas o seu maior orgulho era o 3.º Pelotão E um Cartão de Cidadão que foi dado por obrigação Porque os pretos não cantam o hino, pretos não são nação Pretos morrem "no guerra", mas não vão para o Panteão E é com as mãos calejadas das obras Boca enjoada das sobras Que contava as façanhas da tropa Patriota e orgulhoso de ter lutado pela nação Que o acolheu como um cão, que o tratou como um cão Que o viu morrer miserável sem água nem pão Mas o avô nunca reclamou de nada Morreu agarrado à bandeira e a um disco da Amália Enquanto me dizia...
13.
E ela curte do meu som, mas não se mistura Adora o meu gingado, mas não se mistura Diz que nunca vai ser minha, mas quando chegar a altura Enfim, eu sei que vai colar em mim O mundo só tem graça se for cheio de surpresas 'Bora misturar culturas, rappers com tigresas Bandidos com princesas, a vida é bela Betinhas de Cascais com neguinhos da favela Abre o teu coração, deixa o cúpido trabalhar Quem falou que pirão não combina com caviar Seja semba lá no bairro ou ballet em Paris Isso é como o povo diz, "o importante é ser feliz" Mistura tudo num saco só para ver no que é que dá Felicidade não tem cor e quanto ao resto eu sei lá Um beijo é sempre amor em qualquer parte mundo Por isso eu vivo apaixonado, coração vagabundo Mas está tudo louco, tanta gente stressada 3.ª Guerra Mundial? Só se for de almofadas Com uma lei universal que todos devem seguir Se não há amor nem vale a pena fingir E ela curte do meu som, mas não se mistura Adora o meu gingado, mas não se mistura Diz que nunca vai ser minha, mas quando chegar a altura Enfim, eu sei que vai colar em mim Espalhem amor, vá, espalhem o que quiserem Só não espalhem fofoquice nem falem se não souberem Vamos colorir o mundo sem dar contas a ninguém Se a vizinha anda com um preto, vá lá, o que é que tem? Toca Fado de manhã e à noite toca Kuduro Isso! Vai ser assim no futuro Sushi com pizza, hambúrguer com cachupa Desde que haja amor qualquer coisa resulta Homem com homem ou mulher com mulher A vida é vossa, cada um vive como quer Não deixes que ninguém apague o teu sorriso É por isso que todos dias eu faço o que for preciso É esse o compromisso que eu tenho com a vida Espalhar amor e a minha missão está cumprida Regido por uma lei que todos devem seguir Se não for amor nem vale a pena fingir E ela curte do meu som, mas não se mistura Adora o meu gingado, mas não se mistura Diz que nunca vai ser minha, mas quando chegar a altura Enfim, eu sei que vai colar em mim
14.
24h00 03:50
Muita cara estranha, ambiente pesado Mil e uma tribos a olharem de lado Mambo complicado, ché! Fica calmo Controla os cambuás, mantém-te focado Muito bate-papo cria tensão Bitch fala alto e chama à atenção E os bocas de trapo já estão preparados para gritar bem algo "olha a confusão" O boy chateado quer explicação Uns copos a mais, não teve a visão Que a dama é um bagaço, quer sair no braço para vingar a honra, mas sem noção Que há muito maluco na situação Bang bang e um corpo no chão Ninguém viu nada, ninguém fala nada, mas estavam todos de tele na mão Direto para o Face, vídeo para o Snap, mas ninguém acode Só gritam socorro se a foto no Insta bater o recorde Um milhão de views, ya! Bué likes no feed, ya! Se o nigga morrer vão ser virais tipo gripe, ya! E a dama do nada bazou relaxada, diz que foi minada, não quer saber Que o boy é babaca, não tem pedalada, tinha que levar que era para aprender Heróis morrem cedo e ela quer viver, selfie com a amiga para o mundo crer Com pés de veludo vêm comer tudo, são tipo vampiras não estás a ver? Elas comem tudo Elas comem tudo e não deixam nada E não deixam nada Mano encostado ao balcão Niggas a fazer pressão Dama não tira o olhar Já discutiu com o patrão Nunca falou, mas trocou uns likes Diz que não quer confusão nem fights Mas depois de uns quantos pakistans Diz que o coro dele vira cinco mics Enche o peito para fazer figura DJ suculenta só na mistura Mão na cintura para dar quentura Se der problema, a crew segura O rei da cocada, bebida minada e a safada só lhe faz promessas Diz que quer um homem a sério, está farta de putos não quer mais conversas Garrafas no ar, ele fica-se a achar, hoje vai faturar, siga Não estão a aguentar e o people da zona só fica a gritar "my nigga" Está com o rei na barriga, mais olhos que barriga No meio dos flashes, um monte braços, alguém gritou, deu briga O boy chateado quis explicação Uns copos a mais, não teve a visão Que a dama é um bagaço, quis sair no braço para vingar a honra, mas sem noção Que há muito maluco na situação Bang bang e um corpo no chão Ninguém viu nada, ninguém fala nada, mas estavam todos de tele na mão Elas comem tudo Elas comem tudo e não deixam nada E não deixam nada
15.
Trash Gaveto 02:35
Eu vim para partir tudo, avisem os putos trancados nos quartos Quero ver tudo aos saltos como se estivessem a ficar malucos Nem Gucci nem Prada, só Dr Martins para correr com tudo à biqueirada Trash Gaveto, you know what I mean Meus niggas a girar de ferros como se bulissem num gym Se a gente se cruza, dá corda aos sapatos Se não há mais gritos na zona do que na sala de partos Estás a ver com quem me dou, não venhas falar de flow Aqui não há tropas de elite, só eu e um Gijoe 81 25 brow, cidade de onde eu sou Desses subúrbios onde Deus nunca passou Se eu estou vivo, Hip-Hop nunca morreu Minha vida é Rimas e Batidas, Rui Miguel Abreu Não é violência, é verdade pura Um gajo agora assina autógrafos com as canetas da censura Yeah! A cena é Rock'n'Rolla Meus putos a saltar como se tivessem molas Cambada a fazer moche até se verem as solas Mãos no ar até se verem uns dólares Ninguém abranda o passo até ver o inchaço Na carteira como se tivesse a usar um enchumaço Se for para partir braço um gajo até te parte o baço Mas ninguém fala nada, não há provas sobre o caso Crew fodida man, sente a batida damn Um monstro em cada quadra, Space Jam O Homem do Leme, eu nunca perco o norte Agora há estrelas no céu e são do Rock Eu pus a área no mapa sempre que subi ao ringue Se queres falar de humildade, buli na Burguer King Eu vim do nada, vês? Direto para o Hall of Fame Nunca fui bom com latas, mas sente o pen game Yeah! Eu estou de volta ao jogo Chamem-me José Figueiras, eu estou Muita Lôco Trash Gaveto, you know what I mean Com mais moral nessas ruas do que o Chico Fininho Yeah! A cena é Rock'n'Rolla Meus putos a saltar como se tivessem molas Cambada a fazer moche até se verem as solas Mãos no ar até se verem uns dólares
16.
Ambicionava ser perfeito, mas tive uns dias maus E da forma como eu vivo, acho que me apaixonei pelo caos Vê-me a sofrer por dentro, é o meu temperamento Meti na música o que eu nunca pus num relacionamento Batimento cardíaco lento, arrependimento Preguiça nunca deixou dar os 100% Palavras voam com o vento, talento nunca deu para nada Nem para bola nem para escola, música estou a ficar sem tempo E a perfeição não chega Acupuntura já não cura a enxaqueca Repentina neblina que me ocupa a visão É o desgaste da rotina em busca da perfeição Homem na minha condição já não reza Dama quer filhos, casa, mas um gajo está sem pressa, conversa é essa Dá-me tempo e espaço, um isqueiro e um maço Um beijo e um abraço que eu estou nessa Não há medo, não há chão Não há tempo nem senão Não há espaço para perdão Nessa perfeição E todos temos dores de amores ao cotovelo Enquanto a fada troca dentes podres por pesadelos Mau fio de cabelo, um tom de pele que azeda Por mais que chore eu nunca aprendi a lidar com a perda À esquerda o sonho esfuma-se, coração paralisa Depois um gajo acostuma-se e o medo viraliza Eu vejo ruas entupidas de corpos sem vida A perfeição é uma ilusão tão fodida Sem paciência mesmo que dê errado Nunca peças conselhos a quem nunca quis ser mais que um empregado Quero ser dono da minha vida, do meu legado Porque há coisas que não passam por mais que sejam passado Quando a perfeição não chega há sempre um culpado E eu prefiro estar calado, silêncio é confidente Já tentei meditação, mas durmo sempre Desculpa a imperfeição, também sou gente Nunca vai ser perfeito por mais que um gajo tente Por isso entende Não há medo, não há chão Não há tempo nem senão Não há espaço para perdão Nessa perfeição

about

Porcelana é um projeto que nasce do facto de concebermos que cada ser humano deve ser tratado como a mais delicada peça de porcelana.
Cada ser humano é, no seu íntimo, uma delicada peça de porcelana, capaz de resistir no tempo, de preservar o som, mas no entanto não deixa de ser frágil, bela e delicada, tal como cada um de nós.

Pretende-se com este álbum proporcionar uma viagem entre as mais diversas sonoridades urbanas, tendo sempre o Hip-Hop como pano de fundo.

Porcelana, mais do que um projeto unicamente musical, é o culminar de uma visão reformadora de como todos os indivíduos que se encontrem de alguma forma em situação de fragilidade social, podem e têm o direito de se erguer e viver com dignidade.

digital.kimahera.pt/porcelana

credits

released November 22, 2019

Instrumentais produzidos por Rafael Correia (SICKONCE)
Letras por Élton Mota (Perigo Público)
Teclados adicionais por Afonso Serro nas músicas 01 e 05
Saxofone por Filipe Valentim na música 07
Baixo por Vasco Moura na música 13
Gravado nos estúdios Kimahera
Gravado e misturado por Pedro Pinto e Rafael Correia nos estúdios SICKONCE e Kimahera
Masterização por Pedro Pinto nos estúdios Kimahera
Fotografia e artwork por Camille Leon
Artes visuais e ilustração por Inês Barracha

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Kimahera Silves, Portugal

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